quinta-feira, 26 de abril de 2012

Conto: Folhas Secas

Folhas Secas
Francisco Marques (Chico dos Bonecos)
            Eu estava dando uma aula de Matemática e todos os alunos acompanhavam atentamente. Todos? Quase.
           Carolina equilibrava o apontador na ponta da régua, Lucas recolhia as borrachas dos vizinhos e construía um prédio, Renata conferia as canetas e os lápis do seu estojo vermelhíssimo e Hélder olhava para o pátio.O pátio? O que acontecia no pátio?
           Após o recreio, dona Natália varria calmamente as folhas secas e amontoava e guardava tudo dentro de um enorme saco plástico azul. Terminando o varre-varre, dona Natália amarrou a boca do saco plástico e estacionou aquele bafuá de folhas secas perto do portão. Hélder observava atentamente. E eu observava a observação de Hélder - sem descuidar da minha aula de Matemática.
           De repente, Hélder foi arregalando os olhos e franzindo a testa. Qual o motivo do espanto? Hélder percebeu alguma coisa no meio das folhas movendo-se deseperadamente, com aflição, sufoco, falta de ar. Hélder buscava interpretações para a cena, analisava possibilidades, mas o perfil do passarinho já se delineava na transparência azul do plástico. Um pássaro novo caiu do ninho e foi confundido com as folhas secas e foi varrido e agora lutava pela liberdade.
            - Ele tá preso! O grito de Hélder interrompeu o final da multiplicação de 15 por 127. Todos os alunos olharam para o pátio. E todos nós concordamos, sem palavras: o bico do passarinho tentava romper aquela estranha pele azul. Hélder saiu da sala e nós fomos atrás. E antes que eu pudesse pronunciar a primeira sílaba da palavra "calma", o saco plástico simplesmente explodiu, as folhas voaram e as crianças pularam de alegria.
            Alguns alunos dizem que havia dois passarinhos presos. Outros viram três passarinhos voando felizes e agradecidos. Lucas diz que era um beija-flor. Renata insiste que era uma cigarra. Eu, sinceramente, só vi folhas secas voando.
            Para concluir esta inesquecível aula de Matemática, pegamos vassouras, pás e sacos plásticos e fomos varrer novamente o pátio.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Eu poderia passar horas e horas escrevendo aqui, mas será que alguém ficaria horas e horas lendo o que eu escrevi?". Com essa pergunta veio então a ideia de fazer algo dinâmico e interessante para que toda pessoa possa ler, desde uma piada até um poema, e que perceba que ler é legal.